Boletim do Economista

Esta edição integra o Boletim do Economista | ISSN 3085-9670 (online) 

Nesta edição Vol. 5, No. 2 (abril/junho 2026), os leitores encontrarão análises sobre o papel das instituições informais no desenvolvimento econômico, a importância da educação financeira no desenvolvimento das nações, otimização dos retornos em investimento em ações e o paradoxo da escala 5×2 no Brasil. O Painel de Dados da presente edição do Boletim apresenta estudo sobre a sustentabilidade fiscal dos municípios do estado do Ceará sob a ótica das Receitas.

– A Alma da Nação e Por Que Ela Importa para a Economia – Thiago Holanda

– A Educação Financeira como Catalisador Macroeconômico e Estratégia de Estado – Marcos Venicius Gondim, Desirée Mota

– Otimização de Retornos através do Histograma Moving Average Convergence Divergence – HMACD – Isadora Gonçalves Costa Osterno, Luiz Fernando Gonçalves Viana, Felipe Baquit Melo Glasner

– O Paradoxo da Escala 5X2 no Brasil: Modernização do Trabalho, Produtividade e Fragilidade das Microempresas à luz de Schumpeter e Minsky – Eldair Melo

– Sustentabilidade Fiscal dos Municípios do Estado do Ceará – Receitas – Jaime de Jesus Filho

Thiago Holanda, “A Alma da Nação e Por Que Ela Importa para a Economia”, propõe que as instituições informais constituem a ‘alma da nação’, um substrato cultural que condiciona a eficácia das instituições formais e a capacidade de uma sociedade superar dilemas de ação coletiva. A economia não funciona apenas por meio de capital, trabalho, tecnologia e preços. O desenvolvimento econômico depende não apenas de fatores materiais, mas também de um tecido de instituições informais que definem a confiança, a cooperação e a legitimidade. Confiança, cooperação, legitimidade do Estado, cumprimento de contratos, mérito, corrupção, futuro e pertencimento, moldam o comportamento econômico e determinam o desempenho das sociedades. Embasado em denso arcabouço teórico, o artigo assinala que o aumento na confiança entre pessoas resulta em aumento na produtividade total dos fatores, aumentos significativos na renda per capita e mais desenvolvimento econômico. Os níveis de confiança interpessoal no Brasil situam‑se entre os mais baixos do mundo, em patamar comparável ao de outras nações latino‑americanas. A América Latina, por seu turno, apresenta níveis de confiança inferiores aos de qualquer outra parte do mundo. Na história brasileira, as heranças patrimonialistas e a desconfiança disseminada mostram que instituições formais importadas podem fracassar quando não dialogam com padrões informais enraizados. De modo provocador, a análise sugere que a qualidade das instituições informais não é apenas um reflexo do passado, mas também o resultado de escolhas contemporâneas.

Marcos Venicius Gondim, Desirée Mota, “Educação Financeira como Catalisador Macroeconômico e Estratégia de Estado”, assinala que a estabilidade de uma economia moderna não repousa apenas em políticas monetárias ou fiscais, mas na qualidade das decisões financeiras tomadas por sua base populacional, destacando que a educação financeira contribui para a autonomia econômica, redução da pobreza, consumo consciente e melhoria da qualidade de vida. Dada a sua importância, a ONU incluiu a educação financeira em vários Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, compromisso assumido pelo Brasil. O letramento financeiro, destaca a OCDE, é um determinante crítico para a redução das desigualdades. O artigo destaca que a transição da educação financeira de um “benefício individual” para uma “política de Estado” gera três efeitos sistêmicos vitais: Formação de Capital e Investimento Produtivo, Resiliência do Sistema Financeiro (Redução do Risco Sistêmico) e Eficiência da Política Monetária. Os autores investigam a posição do Brasil e de outros países e apontam caminhos para que  educação financeira funcione de forma efetiva no Brasil.

Isadora Gonçalves Costa Osterno, Luiz Fernando Gonçalves Viana, Felipe Baquit Melo Glasner, “Otimização de Retornos através do Histograma Moving Average Convergence Divergence – HMACD”, sublinha inicialmente o papel do mercado financeiro  e de capitais na formação de poupança para o financiamento do desenvolvimento econômico. A intermediação financeira é viabilizada a partir de uma infinidade de instrumentos financeiros que dividem-se em duas grandes categorias de ativos: renda fixa e renda variável. O estudo analisa a eficácia do HMACD na otimização de retornos financeiros para ativos do Índice de Ações Cearense (IAC) ao longo de cinco anos. O índice foi elaborado por alunos e professores do Curso de Ciências Econômicas da Universidade de Fortaleza (Unifor). Segundo os critérios de inclusão e exclusão de ativos, atualmente o IAC está composto por oito empresas: Aeris (AERI3); Banco do Nordeste (BNBR3); Brisanet (BRST3); Enel Ceará (COCE5); Grendene (GRND3); Hapvida (HAPV3); M. Dias Branco (MDIA3); e Pague Menos (PGMN3). O uso da ciência de dados aplicada ao mercado financeiro tem mostrado grandes avanços nos últimos anos, criando, inclusive um novo campo de pesquisa chamado de computacional finance. Aplicando o método de machine learning conhecido como busca exaustiva foi possível determinar os parâmetros do indicador de análise técnica HMACD que otimizam o retorno individual de cada ativo que compõem o IAC. Os ativos que apresentaram os maiores retornos foram HAPV3, AERI3 e COCE5, considerando o valor do lucro total acumulado ao longo da janela de 5 anos, ressaltando que nenhum dos ativos apresentou prejuízo acumulado no período do estudo. O trabalho mostrou-se inovador ao aplicar uma metodologia de machine learning para identificação dos parâmetros do HMACD que otimizam o retorno de ativos de renda variável. Pesquisas posteriores podem ser realizadas aplicando o algoritmo a quaisquer ações cotadas na B3.

Eldair Melo, “O Paradoxo da Escala 5X2 no Brasil: Modernização do Trabalho, Produtividade e Fragilidade das Microempresas à luz de Schumpeter e Minsky”, assinala que o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a possível adoção mais ampla da escala 5×2 no Brasil ultrapassa a simples discussão sobre redução de jornada. Trata-se de um tema que envolve produtividade, estrutura empresarial, qualidade de vida do trabalhador, competitividade setorial, informalidade, inovação, gestão financeira e capacidade de adaptação das micro e pequenas empresas. O artigo analisa o paradoxo gerado por essa transição: de um lado, a necessidade de modernizar as relações de trabalho, reduzir jornadas exaustivas e ampliar o bem-estar dos trabalhadores; de outro, a fragilidade operacional, financeira e gerencial de grande parte das empresas brasileiras, especialmente micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior parte dos negócios e por parcela expressiva da geração de empregos formais. A análise incorpora contribuições de Joseph Schumpeter, especialmente a inovação e a destruição criadora, e de Hyman Minsky, com sua abordagem sobre fragilidade financeira, instabilidade e comportamento dos agentes econômicos em ambientes de incerteza. Argumenta-se que a escala 5×2 pode dinamizar a economia, ampliar consumo, melhorar produtividade e fortalecer vínculos formais de trabalho, desde que acompanhada de política de transição, apoio gerencial, crédito produtivo, inovação tecnológica e reorganização dos processos empresariais. Conclui-se que o desafio brasileiro não é apenas reduzir a jornada, mas transformar essa mudança em uma agenda nacional de produtividade, formalização e desenvolvimento humano.

Jaime de Jesus Filho, “Sustentabilidade Fiscal dos Municípios do Estado do Ceará – Receitas”, analisa a sustentabilidade fiscal dos municípios do estado do Ceará com ênfase na receita própria dos municípios no período 2024-2025. Os dados são extraídos do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO). Destaca-se, inicialmente, que arrecadação própria desempenha papel estratégico, pois amplia a autonomia financeira da administração municipal e reduz a vulnerabilidade decorrente da elevada dependência de recursos externos. Os principais impostos municipais são o IPTU, o ISS e o ITBI, além de taxas e contribuições de melhoria. O fortalecimento dessas receitas contribui para a construção de uma trajetória fiscal mais sustentável. Considerando o conjunto dos 184 municípios cearenses como um único ente federativo, observa-se um crescimento expressivo das receitas públicas em 2025 de 11% em relação a 2024. Apesar do crescimento nominal da arrecadação própria no período, sua participação na Receita Corrente apresentou ligeira redução, passando de 14,18% em 2024 para 13,77% em 2025, indicando que o crescimento das receitas provenientes de transferências e outras fontes correntes ocorreu em ritmo superior. Em 2025, a Despesa com Pessoal e Encargos Sociais dos 184 municípios cearenses somou R$ 24,784 bilhões, consolidando-se como a principal rubrica de gasto das administrações municipais. Quando comparada à arrecadação própria agregada, de R$ 7,158 bilhões, observa-se que os recursos gerados diretamente pelos municípios não seriam suficientes para custear sequer um terço dessa despesa. Conforme os dados, a receita própria cobriria apenas 28,9% dos gastos com pessoal e encargos sociais, evidenciando a forte dependência dos municípios em relação às transferências intergovernamentais para financiar suas despesas correntes obrigatórias. Desta forma, a receita própria dos municípios seria suficiente para financiar apenas 3,5 meses de despesas com pessoal e encargos sociais ao longo de um ano, sendo necessários recursos provenientes de transferências e outras receitas para custear os 8,5 meses restantes. É importante ainda examinar a razão entre Receita Própria e Receita Corrente, de 6,06%, indicando que, em média, apenas R$ 6,06 de cada R$ 100 arrecadados pelos municípios têm origem em receitas geradas localmente. Os melhores indicadores foram registrados por Eusébio (36,15%), Fortaleza (28,50%) e Aquiraz (27,22%), municípios que se beneficiam de uma estrutura econômica mais diversificada, elevada urbanização, forte atividade empresarial, imobiliária e de serviços, além de uma base tributária significativamente mais ampla, evidenciando que a autonomia fiscal municipal no Ceará está fortemente associada ao dinamismo econômico local, à densidade populacional e à capacidade administrativa de arrecadação, resultando em uma expressiva heterogeneidade entre os municípios do estado.

Ricardo Eleutério Rocha, Conselheiro e Coordenador do Boletim do Economista

Desirée Custódio Mota, Conselheira e Presidente da Comissão de Educação do Corecon-Ce

José Wandemberg Rodrigues Almeida, Conselheiro e Presidente do Corecon-Ce

2026 – Perspectivas Econômicas: Reflexões e Análises Multidisciplinares

Thiago Holanda

Marcos Venicius Gondim, Desirée Mota

Isadora Gonçalves Costa Osterno, Luiz Fernando Gonçalves Viana, Felipe Baquit Melo Glasner

Eldair Melo

Jaime de Jesus Filho

Expediente – Vol. 5, No 2 (abril/junho 2026)

Comissão Editorial: Desirée Custódio Mota, José Wandemberg Rodrigues Almeida, Ricardo Eleutério Rocha, Eldair Melo Mesquita Filho, Thiago Costa Holanda, Ricardo Aquino Coimbra, Lauro Chaves Neto, Francisco Roberto Dias de Freitas.

Organizadores: Ricardo Eleutério Rocha (Coordenador), Desirée Custódio Mota.

Revisão e curadoria editorial: Heliana Querino

Diagramação e suporte técnico: Luana de Oliveira Pitombeira Lopes

Capa e diagramação: Francisco Carlos Henrique de Oliveira Leite

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