Esta edição integra o Boletim do Economista | ISSN 3085-9670 (online)
Nesta edição Vol. 5, No. 3 (julho/setembro 2026), os leitores encontrarão análises sobre o acréscimo potencial de complexidade em atividades da transição energética do Ceará, a economia azul no Ceará e o papel dos economistas, a importância estratégica dos pequenos negócios no desenvolvimento das nações, a eficiência das organizações sociais de saúde e o pioneirismo do Ceará na gestão do SUS e a gestão do agronegócio e a inovação tecnológica na atividade leiteira. O Painel de Dados da presente edição do Boletim apresenta estudo sobre o mercado de crédito no Estado do Ceará.
– Ganho de Oportunidade Regional (GO-R) do Ceará: O Acréscimo Potencial de Complexidade em Atividades da Transição Energética – Thiago Holanda
– Do Potencial à Estratégia: A Economia Azul no Ceará e o Papel dos Economistas – Eduardo Fontenele
– A Espinha Dorsal da Economia Global: A Importância Estratégica dos Pequenos Negócios no Desenvolvimento das Nações – Desirée Mota, Marcos Venicius Gondim
– A Eficiência das Organizações Sociais de Saúde: Uma Análise Econômico-Financeira e o Pioneirismo do Ceará na Gestão do SUS – Rivanio Paulino
– Painel de Dados: Mercado de Crédito no Estado do Ceará – Jaime de Jesus Filho, Rodrigo Stefe
– Gestão do Agronegócio e a Inovação Tecnológica Direcionada a Atividade Leiteira – Emili Rauane Nogueira Matos, Francisco Roberto Dias de Freitas, Anderson Alcantara Medeiros
Thiago Holanda, “Ganho de Oportunidade Regional (GO-R) do Ceará: O Acréscimo Potencial de Complexidade em Atividades da Transição Energética”, mensura o Ganho de Oportunidade Regional (GO-R) do Ceará para dez atividades da transição energética. O indicador quantifica o acréscimo de complexidade que uma região incorpora ao realizar dada atividade com vantagem comparativa. A complexidade econômica sustenta que o crescimento de longo prazo depende das capacidades acumuladas no território. A probabilidade de desenvolver nova atividade cresce com a proximidade entre as competências já dominadas e as exigidas pela atividade almejada. O Ceará atravessa reorganização produtiva impulsionada pela geração renovável, pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém e por projetos de hidrogênio verde. O artigo revela que as atividades vinculadas ao hidrogênio registram os maiores acréscimos potenciais de complexidade.
Eduardo Fontenele, “Do Potencial à Estratégia: A Economia Azul no Ceará e o Papel dos Economistas”, destaca, inicialmente, que falar de Economia Azul no Ceará é falar de uma vocação econômica que acompanha a própria formação do Estado, mas que ainda precisa ser plenamente reconhecida, mensurada e transformada em estratégia de desenvolvimento. O desafio, portanto, não está apenas em reconhecer que o mar gera riqueza, mas em compreender como essa riqueza é criada, onde se concentra, como se distribui e de que maneira pode crescer sem comprometer a base ambiental e social que a sustenta. Economia do Mar e Economia Azul, entretanto, não são expressões inteiramente equivalentes. A primeira permite identificar e mensurar atividades econômicas relacionadas direta ou indiretamente ao ambiente marinho e costeiro. A segunda acrescenta uma exigência decisiva: essas atividades devem ser economicamente eficientes, socialmente inclusivas e ambientalmente sustentáveis. Mensurar para conhecer e conhecer para decidir: é nesse ponto que o trabalho dos economistas se torna central. A contribuição das Ciências Econômicas começa pela mensuração: definir setores, organizar informações, construir contas, estimar valor agregado, analisar emprego, renda, produtividade, comércio, encadeamentos produtivos e impactos territoriais. O artigo sublinha que há uma agenda imperiosa de políticas públicas que é avançar na construção de uma metodologia para calcular o PIB do Mar no Ceará. Os economistas podem, assim, cumprir funções estratégicas na agenda azul do Ceará: tornar a Economia Azul mensurável; avaliar cadeias e projetos; identificar onde o valor é criado e perdido; analisar impactos territoriais e distributivos; e contribuir para a construção de instrumentos de política mais eficientes.
Desirée Mota, Marcos Venicius Gondim, “A Espinha Dorsal da Economia Global: A Importância Estratégica dos Pequenos Negócios no Desenvolvimento das Nações”, assinala que o sucesso de um empreendimento não depende exclusivamente da capacidade técnica ou da vocação individual do empreendedor. Depende, prioritariamente, do ecossistema e do ambiente de negócios no qual está inserido — um arcabouço normativo, financeiro e territorial que pode ser mais ou menos indutor da sua prosperidade. Todo desenvolvimento socioeconômico é local já que se materializa em territórios específicos, abrangendo arranjos produtivos e regiões que se caracterizam por afinidades geográficas, físicas, econômicas e culturais. O artigo salienta que os pequenos negócios continuam sendo o principal motor da economia brasileira, apresentando indicadores que demonstram que o segmento não apenas produz bens e serviços, mas promove inclusão socioeconômica, estabilidade e dignidade familiar em todas as regiões do território nacional. Os dados da OCDE, da SBA (EUA) e do Eurostat mostram que as MPEs formam a base produtiva de economias emergentes e desenvolvidas. Promover a competitividade dos pequenos negócios e incentivar a educação financeira corporativa e pessoal não é apenas uma política setorial, mas a estratégia macroeconômica mais eficaz para construir famílias financeiramente resilientes, fortalecer a economia de base e assegurar um desenvolvimento nacional inclusivo e duradouro. Fortalecer o ambiente de negócios para os pequenos empreendimentos por meio da desburocratização, do acesso simplificado ao crédito, da inovação e da educação empreendedora é a estratégia mais eficiente para garantir crescimento econômico sustentável, distribuição regional de renda e soberania nacional.
Rivanio Paulino, “A Eficiência das Organizações Sociais de Saúde: Uma Análise Econômico-Financeira e o Pioneirismo do Ceará na Gestão do SUS”, analisa as vantagens do modelo de gestão por Organizações Sociais de Saúde (OSS), combinando fundamentação teórica com a experiência prática do Estado do Ceará. A partir do marco regulatório nacional e estadual, examinam-se os ganhos de eficiência, a flexibilidade orçamentária, a estrutura microeconômica do custo por leito e a qualidade assistencial proporcionados pelo modelo, tomando como estudo de caso a expansão da rede estadual regionalizada então operacionalizada pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH). Demonstra-se como a sinergia entre o financiamento público e a operacionalização privada sem fins lucrativos evidencia a consolidação do modelo sob a ótica da segurança legal, da sustentabilidade financeira e da entrega de valor à sociedade. O artigo destaca que o Ceará converteu-se em referência nacional ao qualificar o Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), como Organização Social de Saúde. Fundado em 2002, o ISGH transformou o panorama da assistência à saúde no estado, sendo o parceiro estratégico do Governo do Estado na consolidação do plano de regionalização do SUS, em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará. A expansão da rede pública hospitalar de alta e média complexidade pelo interior cearense, nas 5 macrorregiões de saúde, democratizou o acesso à saúde e evitou o deslocamento massivo de pacientes para a capital. O modelo de Organizações Sociais de Saúde demonstra que a inovação na gestão pública é o caminho mais promissor para conciliar a sustentabilidade fiscal com o direito constitucional à saúde. Sob a ótica econômica, o modelo reduz custos operacionais por meio de ganhos de escala e flexibilidade nas compras, maximizando o valor gerado para cada real investido no SUS. A experiência vanguarda do Ceará, impulsionada pela atuação do ISGH na consolidação dos hospitais regionais (HRC, HRN, HRSC, HRVJ e HRI) atestados por certificações nacionais (ONA) e pelo nível máximo internacional (ACSA), prova que é possível oferecer medicina de alta complexidade com rigor técnico e governança, com recurso público. Para economistas e formuladores de políticas públicas, a gestão por OSS firma-se como um instrumento indispensável de eficiência, equidade e desenvolvimento socioeconômico.
Jaime de Jesus Filho, Rodrigo Stefe, “Painel de Dados: Mercado de Crédito no Estado do Ceará”, salienta que o crédito e o funcionamento do mercado de crédito são peças centrais do desenvolvimento em estados como o Ceará porque transformam poupança em investimento e consumo produtivos, aliviando as restrições de liquidez que limitam empresas, produtores rurais e família. O estudo analisa a participação do Ceará no Brasil e na região nordeste bem como a posição do Estado no ranking da inadimplência nacional e regional, investigando o comportamento das pessoas física e jurídica.
Emili Rauane Nogueira Matos, Francisco Roberto Dias de Freitas, Anderson Alcantara Medeiros, “Gestão do Agronegócio e a Inovação Tecnológica Direcionada a Atividade Leiteira”, assinala que em tempos de inovação tecnológica, o emprego excessivo de insumos não necessariamente se traduz em ganhos de competitividade, pelo contrário, pode indicar o uso de tecnologias atrasadas, impactando diretamente nos custos de produção fixos e variáveis. O artigo apresenta uma análise econômico-financeira da produção de leite em Iguatu/CE, para o ano de 2024.
Ricardo Eleutério Rocha, Conselheiro e Coordenador do Boletim do Economista
Desirée Custódio Mota, Conselheira e Presidente da Comissão de Educação do Corecon-Ce
José Wandemberg Rodrigues Almeida, Conselheiro e Presidente do Corecon-Ce
Desirée Mota, Marcos Venicius Gondim
Jaime de Jesus Filho, Rodrigo Stefe
Emili Rauane Nogueira Matos, Francisco Roberto Dias de Freitas, Anderson Alcantara Medeiros
Comissão Editorial: Desirée Custódio Mota, José Wandemberg Rodrigues Almeida, Ricardo Eleutério Rocha, Eldair Melo Mesquita Filho, Thiago Costa Holanda, Ricardo Aquino Coimbra, Lauro Chaves Neto, Francisco Roberto Dias de Freitas.
Organizadores: Ricardo Eleutério Rocha (Coordenador), Desirée Custódio Mota.
Revisão e curadoria editorial: Heliana Querino
Diagramação e suporte técnico: Luana Pitombeira
Capa e diagramação: Francisco Carlos Henrique de Oliveira Leite